Visita à Fundação Eça de Queirós

Já tinha feito esta viagem à alguns anos, quando andava na escola secundária, no âmbito da disciplina de Português. Este ano voltei a fazer a mesma viagem no dia em que se comemorou 111 anos da morte de Eça de Queirós (dia 16 de Agosto de 1900). A parte interessante desta viagem é que fazemos o mesmo caminho que Eça de Queirós descreveu no romance “A cidade e as serras”, designado o Caminho de Jacinto. Eça de Queirós inspirou-se no caminho que ele próprio fez quando foi visitar pela primeira vez a Quinta que lhe foi entregue em herança.

Tal como quando fiz pela primeira vez esta viagem com o professor de Português e os meus colegas de turma, apanhei o comboio da Régua até à estação de Arêgos. Esta viagem de comboio demora cerca de 35 minutos. Aconselho a verificarem antecipadamente os horário na página da net da CP.

Quando se chega à estação de Arêgos, existem umas placas a indicar por onde devemos seguir o caminho que Jacinto fez no livro. Mas como estamos em Portugal, muitas dessas placas desapareceram (por 3 vezes, segundo a Guia da casa) e perdi-me do caminho original duas vezes. Portanto não fiz o caminho original de Jacinto. Levou cerca de duas horas e meia porque nos perdemos e o caminho não é fácil. Tem algumas partes que são bastante acidentadas. Mas vale a pena fazer esta caminhada e ver as maravilhas da Natureza. Se calhar, devia ter levado um GPS🙂

Finalmente!🙂

É melhor levar para a caminhada  roupa e sapatilhas confortáveis, chapéu e água. E, claro, máquina fotográfica para mais tarde recordar.🙂

A Fundação Eça de Queirós foi inaugurada em 1997 pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, funciona na Quinta de Vila Nova, Tormes, na freguesia de Santa Cruz do Douro, concelho de Baião. Nela ainda habita a neta por afinidade de Eça de Queirós, que nos recebeu com muita simpatia e amabilidade. Na Fundação, somos conduzidos pela Guia pelas divisões da casa que estão em exposição.

No hall de entrada, estão expostos as 3 únicas peças de mobiliário originais que Eça encontrou quando chegou a esta quinta, transformada num celeiro: a cadeira, a mesa do arroz de favas (assim chamada porque, tal como o romance, foi nela que Eça fez a primeira refeição de arroz de favas que detestava e passou a adorar!) e o crucifixo.

Depois passamos para a sala que servia de Gabinete para Eça. Nela se encontram livros antigos de Eça e a secretária feita exclusivamente à sua medida. Como Eça escrevia em pé a sua secretária é alta e bem organizada. Nessa mesma sala, encontram-se fotografias dos seus descendentes. Todo seu mobiliário e livros são posteriormente trazidos pela esposa do Eça de Paris após a sua morte. Uma sala mais pequena adjacente é quase totalmente preenchida pela a cabaia chinesa oferecida pelo seu amigo pessoal o Conde de Arnoso, secretário do Rei D. Carlos, após uma visita deste a Pequim em 1887. Também podemos ver o retrato do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia, um quadro com uma paisagem alentejana pintada e oferecida pelo próprio rei a Eça e um móvel no qual estão cópias de pensamentos do escritor quando visualizava uma paisagem (já que naquela altura não existiam máquinas fotográficas era a forma de posteriormente se recordar do momento ou paisagem e incluir nos seus livros).

Seguimos para uma sala de estar na qual estão expostos objectos pessoais do escritor e da esposa. No quarto de Eça temos acesso a fotografias do escritor com os filhos e com a cabaia vestida (foi a única vez que vestiu a cabaia porque era muito grande para Eça, dizendo mesmo que não tinha pança para a preencher).

Segue-se a cozinha, que mistura a traça antiga com as comodidades modernas, dado que a casa mantém-se habitada pela descendente da família.

Já cá fora, no terraço, visitamos a capela. Pequena e despojada, com Santo António no altar, mas na qual ainda se celebram missas.

Por último, o antigo lagar da casa, transformado em loja da fundação, na qual se pode comprar lembranças desde canetas e canecas, a livros, vinhos e compotas feitas na quinta.

Na quinta pode-se ainda dar um passeio no pequeno jardim adjacente à casa ou ainda fazer um pic-nic nos bancos do miradouro, desfrutando da belíssima paisagem do Douro.

Eu não tive tempo, mas quem quiser ainda pode visitar a campa de Eça de Queirós, que se encontra sepultado na Igreja de Santa Cruz do Douro.

Para saber mais em pormenor e organizar a vossa visita a este espaço, consultem o site da Fundação Eça de Queirós na net.

Entrada da casa de Tormes

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