A Vida…

Este texto foi escrito por mim há sensivelmente uns seis anos, quando ainda era pequenina😀 e andava com muita veia artística! lol Publiquei-o no “Crónicas” a pedido de uma amiga minha e leitora assídua deste blog. Dedico-o a ela que tanto gosta deste texto😀 Para ti Martinha… a Vida…😀

“A Vida. José Régio caracteriza-a de “Alta-comédia misteriosa”. Eu talvez a caracterize de peça teatral de finíssima ironia. Neste Universo vazio e sem vida, o nosso planeta singular é o único que contém vida. Mas a vida, o que é? Um imenso e encrespado mar de problemas onde navegamos sem rumo, uma peça teatral escrita por alguém inexperiente e sem ideias. Gassman diz que “o único erro de Deus foi não ter dado duas vidas ao homem: uma para ensaiar e outra para actuar”. Será Ele esse alguém que escreveu a peça sem sentido? Não se sabe, nem sequer se sabe se Ele existe. O que se sabe é que, por vezes, ela se torna absurda, sem sentido e sem valor pois falta-nos o principal: o amor, o carinho, sentimo-nos abandonados na solidão. Tudo parece negro e ninguém indica o caminho para a saída. A morte parece o fim. O suicídio? Não! De repente acordamos e dizemos que não nos devemos render assim! Que fim seria este? A peça seria um fracasso! Morreríamos sem glória, a desertar como covardes, a fugir como ratos quando o navio se afunda. Vemos, então, uma placa que nos indica a saída e, lá ao fundo, uma luz branca que nos dá acesso para o Paraíso. Não um Paraíso no céu, mas um protótipo dele na Terra. Não é a perfeição, é uma imitação com uns “quês” que poderiam ser retocados.

Mas digam lá, se a Vida é ou não um presente para privilegiados? Continuando com um soneto Síntese, de José Régio: (…) a Vida/Era um bem digno dom de altos senhores!”. Deram-nos uma oportunidade única de escrever a nossa própria história pelas nossas próprias mãos, de fazer aquilo que queremos, bem ou mal. É ou não um privilégio? A Vida é bela, tem um valor a que nada se iguala pois um dia, a “Senhora Dona Morte”, como lhe chama Florbela Espanca, bate-te à porta para te levar. Pedes-lhe, imploras-lhe para não fazer tal. Porquê? Porque não aproveitaste a tua Vida. Trabalhas para ganhar mais dinheiro para comprar uma casa e um carro. Trabalhas ainda mais para comprar uma casa e um carro ainda mais caros. E quando comprares a casa e o carro mais caros que existem, dás conta que moras sozinho na magnífica casa que compraste, e só tu e o teu motorista se passeiam no teu carro mais caro que existe. A Morte quando aparece tem de nos levar. Ela é último figurante comum e é quem tem de representar o mesmo papel em todas as peças de teatro e só cumpre ordens do superior. Além disso, é ela que dá sentido à Vida porque alguém imortal viverá passivamente pois tem todo o tempo para viver, se é que possamos dizer que ele viva. Dizer “viver” não quer dizer que esteja vivo, que esteja de corpo presente, mas sim aquele que vive os momentos intensamente, como se aquela vez fosse a ultima. Por isso, eu digo que a Vida desse pobre imortal será terrível. Pois é, quando a Morte vier, devemos abrir-lhe a porta com boa-vontade e, com um grande sorriso e um brilhozinho nos olhos, dizemos: “ Faz o teu trabalho”. E pensamos para nós: “ Já vivi e pronto, acabou”. É, então, que ela nos fecha os olhos com os “dedos de veludo” e leva-nos consigo.

O pano cai e surgem os aplausos e os “bravos” entusiásticos do público.”

Um pensamento sobre “A Vida…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s